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* Por Ir. Beatriz de Freitas Teixeira
Nosso Papa Bento XVI, na sua reflexão do 1°
domingo da quaresma nos convida a refletirmos sobre a perda do
sentido de pecado, que tem a sua origem no Eclipse de Deus. O ser
humano quanto mais se afasta de seu criador, menos noção de pecado
tem, em um mundo marcado pelo secularismo é fácil viver uma vida sem
limites, onde tudo me é permitido em nome de uma “felicidade”
momentânea, marcada pelo subjetivismo.

Bento XVI
começa sua reflexão questionando-nos sobre qual o sentido da
quaresma e o sentido da cruz? E nos responde: Porque o mal existe a
quaresma e a cruz tem para nós sentido, o pecado que de acordo com
as escrituras é a raiz de todo o mal. O mal entrou no mundo, devido
à arrogância e prepotência do ser humano, de querer ser mais do que
Deus. Se analisarmos o mundo em que estamos inseridos, percebemos a
força do mal atuando, pelo fato de que a criatura se afastou de seu
criador, negando assim sua condição de total dependência daquele que
a criou.
A nossa
sociedade eliminou Deus do horizonte do mundo, sendo assim não se
pode falar de pecado, pois a concepção que temos de pecado está
ligada à concepção que temos de Deus, se ele está fora de nossa
vida, logo não existe pecado, só compreendemos o pecado
redescobrindo o sentido que tem
Deus em nossas vidas e na história da humanidade.
Deus
sendo amor, misericórdia, fidelidade não tolera o mal e convida a
cada ser humano a se voltar para ele com todo o seu coração e alma,
pois não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
(cf. Ez 18, 23).
A escravidão mais severa e profunda é
precisamente a do pecado, nos recorda o Papa. Por este motivo Deus
enviou seu filho único ao mundo, assumindo assim nossa natureza
humana menos o pecado, ele entra na história de seu povo e propõe um
caminho inverso ao do pecado de volta para Deus, Jesus Cristo é este
caminho que nos conduz ao Pai, levando o homem até Deus resgatando
sua dignidade de criatura amada e querida, criada não para viver na
sombra da morte e do pecado, mas viver em plenitude sua filiação
Divina.
A Quaresma é
este
tempo de graça para nós, pois tem um sentido escatológico nos faz
buscar aqui na terra uma vida plena, não ofuscada pelo pecado que
nega ao homem sua condição de filho de Deus. Este período litúrgico
que a Igreja vive e celebra, é um convite a um rompimento com a vida
de pecado e um voltar-se para Deus, um rompimento com a escravidão e
um sim a verdadeira liberdade que a filiação Divina nos dá. Para
empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para
celebrar a Ressurreição do Senhor o que pode nos ajudar, é nos
deixar conduzir pela sua palavra, ela deve ser o centro de nossas
reflexões, é na escuta atenta de sua palavra, na busca constante
pelos sacramentos, principalmente o da penitência e da eucaristia,
que vamos nos fortalecendo no combate contra as forças do mal, que
nos leva a viver uma vida de pecado e de
ausência de Deus.
Que
possamos nos empenhar na busca de uma autêntica vida de união com
Cristo, para fazermos resplandecer em nós a luz maior que é Jesus
Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ele venceu a morte e o
pecado e nos garantiu uma morada eterna, inaugurando assim para nós
o céu.

Irmã
Beatriz de Freitas Teixeira
é Franciscana Alcantarina,
Teóloga
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