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* por Irmã Eva Maria Nunes
Podemos
compreender com clareza, que Deus age de diversas maneiras,
e age de modo pessoal na história de vida das pessoas e de
seu povo. Compreendendo bem a história, podemos compreender
melhor também a Palavra de Deus e a sua ação na nossa vida.
Esta história está contada na Bíblia.
A Bíblia
foi escrita uns mil anos antes do nascimento de Jesus e suas
últimas linhas foram escritas uns cem anos depois de seu
nascimento.
O
Primeiro Testamento (A.T) fala do que aconteceu antes de
Jesus nascer e o Segundo Testamento (N.T) fala do
nascimento, vida, morte, ressurreição de Jesus e da vida dos
primeiros cristãos.
A Bíblia
é um livro que levou mais de mil anos para ser escrito.
Dentro dela há muitos outros livros.
A Bíblia
foi escrita por pessoas humanas como todos nós. Dizemos que
é palavra de Deus porque foi Ele quem inspirou as pessoas
que a escreveram (2Tm3, 16 e 2Pd1, 21). Esta inspiração não
está só nas pessoas que escreveram a Bíblia, mas também nas
pessoas que sentiram e sentem Deus presente e agindo na
própria vida e na vida do povo. Todas as verdades que
interessam à nossa salvação estão na Bíblia.
Há
diversos modos de escrever e de falar na Bíblia, ou seja,
gêneros literários diferentes, pois, ela foi escrita em
épocas diferentes, em culturas diferentes, por diversas
pessoas e muito tempo depois dos acontecimentos. Antes de
ser escrita, foi contada, passando de geração em geração.
História da Salvação
A pessoa
humana criada à Imagem e Semelhança de Deus é dotada de
inteligência, de livre arbítrio e capacidade de amar. Deus
cria, orienta e dá as condições de vida, mas respeita a
liberdade de escolha do ser humano. (Gen.1,1-30; 2,18-24).
Cria-o para a felicidade, para a plenitude de vida. O mau
uso da liberdade deixa o ser humano vazio, frustrado,
impedido de alcançar sua realização plena, a dignidade de
filhos de Deus.
O Pecado gera Maldade
Desde o
início, a maldade, a ganância, a ambição, o orgulho, etc.,
estavam no coração das pessoas, por isso não conseguiram
andar nos caminhos indicados por Deus (Gen. 2 _ 4).
Vendo
esta maldade, Deus resolveu formar um povo separado dos
outros povos, escolhendo Abraão para ser pai do povo
escolhido (Gen. 12). Abraão teve um Filho chamado Isaac e um
neto chamado Jacó ( Gen.21; 25,19-26). Jacó teve 12 filhos e
por causa de uma grande seca na região mudou-se com toda a
família para o Egito (Gen. 41 _47) Com o tempo o povo
tornou-se numeroso e o Faraó, rei do Egito, por medo de ser
dominado, submeteu o povo descendente de Abraão, Isaac e
Jacó à dura escravidão e mandou matar todos recém-nascidos
masculinos dos hebreus (Ex.1). Era a maldade que fazia
irmãos dominar, explorar e matar o próprio irmão.
Libertação e Aliança
Sofrendo
grande escravidão, o povo clama a Deus e Ele escuta e atende
(Ex.2, 23-25). Deus escolhe Moisés, um hebreu que tinha
escapado de ser afogado (Ex.2,1-10) para ser o libertador de
seu povo (Ex. 3s).
Depois de
muitas dificuldades, Moisés, ajudado por Deus, conseguiu
organizar o povo e sair da escravidão, fugindo para o
deserto (Ex. 14 e 15). Começaram a caminhada para a terra
que Deus havia prometido dar a eles.
No começo
da caminhada Deus fez com eles a proposta de uma aliança,
com dois compromissos: Da parte de Deus o compromisso de
proteger o povo (Ex. 19,5); Da parte do povo o compromisso
de guardar os 10 mandamentos (Ex. 20,1-17; Deut.5 e 6). O
povo aceitou a aliança e esta foi celebrada e selada com
sangue (Ex 24,1-8).
Os
mandamentos de Deus são caminhos para uma vida livre da
escravidão.
A Posse da Terra e a Vida do Povo
Depois de
celebrar a Aliança, o povo continuou a caminhada para a
terra prometida.O povo não foi fiel aos compromissos da
Aliança (Ex 32), mas Deus foi tendo paciência, perdoando,
conduzindo, ajudando (Ex 33). Assim eles chegaram e tomaram
posse da terra (Js1– 12).
O povo
era organizado em 12 grupos ou Tribos. Cada Tribo tinha o
nome de um dos filhos de Jacó. A terra foi dividida com
justiça entre eles (Js13 -21).
Nesse
tempo o povo era governado por Juízes (Ex18 e Jz1-21). A
terra nunca seria vendida definitivamente. A venda valia no
máximo 50 anos depois voltava ao antigo dono. (Lv25; Deut
15)
O povo
celebrava a Páscoa e outras festas todos os anos para
lembrar que Deus os tinha libertado da escravidão. Celebrava
para agradecer a posse da terra e a vida do povo (Ex12 e
Deut16). Como povo, tinha também o compromisso de pagar o
dízimo (Deut14, 22-29).
Depois de
algum tempo o povo quis ter um rei como outros povos. Deus
avisou que não era bom ter rei, pois estes gostam de
mordomias e poderiam submetê-lo à escravidão (1Sam 8). O
povo insiste e assim começa o governo dos Reis: Saul, Davi,
Salomão (1Sam1-2; Reis e Crônicas).
Os reis
não seguiram o caminho de Deus e levaram o povo a ser infiel
à Aliança. Deus então mandou Profetas para reclamar do povo
a fidelidade à Aliança, falando em nome de Deus. Os Profetas
exigiram fidelidade aos mandamentos, denunciavam os erros
dos reis e do povo (Is1 e 5). Eles também anunciavam a
esperança da salvação, convidavam o povo a confiar em Deus
(Is 10 e 43).
Os reis e
o povo não atenderam a voz dos profetas, por isso sofreram
muito e caíram numa nova escravidão, o exílio da Babilônia.
Isso aconteceu uns seiscentos anos antes de Jesus Cristo
(2Rs 25).
Depois de
50 anos, novamente ajudado por Deus voltaram para sua terra
(Is 43; Esd. e Ne.). Apesar de muitas lutas não conseguiram
mais a independência política.
O Nascimento de Jesus
No tempo
de Jesus, os Romanos eram os estrangeiros que dominavam o
povo. Eles tiravam 46% de toda produção do povo, e, além
disso, o povo tinha que pagar 14% de imposto aos sacerdotes
do templo. As multidões, cansadas e abatidas, eram como
ovelhas sem pastor. A escravidão do sofrimento e da falta de
esperança era grande no meio do povo.
Deus
então provou uma vez mais o seu amor enviando seu próprio
Filho ao mundo. Para isso serviu-se de uma mulher, Maria de
Nazaré, convidando-a para ser a mãe de seu Filho. Atendendo
a mensagem do anjo Gabriel, enviado de Deus, Maria disse:
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra” (Lc.1,26-38).
Quando
completou o tempo de Jesus nascer, os Romanos querendo
receber melhores impostos, mandaram fazer um recenseamento
(contagem de pessoas). Cada chefe de família tinha que ir à
sua terra natal com toda a família para ser alistado. Por
isso José e Maria viajaram de Nazaré, onde moravam, até
Belém, terra natal de José.
Quando
chegaram a Belém as pensões estavam lotadas e eles, com
poucos recursos foram passar a noite num abrigo de animais.
Nessa noite nasceu Jesus. Seu berço foi um cocho onde os
animais comem. Jesus nasceu pobre como nascem as crianças
pobres.
Naquela
noite, uns pastores (vaqueiros) estavam lutando com seu
gado. Deus mandou um Anjo de luz dizer a eles: “Não tenham
medo, eu trago uma boa notícia. Hoje nasceu para vocês um
Salvador na cidade de Davi. O sinal é este: vocês
encontrarão um menino enrolado em panos e deitado numa
manjedoura”. Os pastores disseram: ” Vamos a Belém”. Foram e
encontraram Maria, José e o menino deitado no cocho. (Lc
2,1-20)
Os reis
magos também viram um sinal no céu, indicando o nascimento
de Jesus. Seguiram a estrela e encontraram o menino com
Maria, sua mãe. Eles adoraram Jesus e ofereceram- lhe
presentes: ouro, incenso e mirra(Mt 2, 1-12).
A vida de
Jesus depois de seu nascimento é resumida assim pelo
evangelho: “ Jesus crescia em sabedoria, em idade e graça,
diante de Deus e dos homens”. (Lc. 2, 40). Jesus foi um
menino como os outros meninos, foi operário e trabalhou como
carpinteiro.
Jesus e seu Ensinamento
Aos 30
anos Jesus saiu de casa. Foi ao Rio Jordão para ser batizado
por João Batista. No batismo o espírito Santo desceu sobre
Ele em forma de pomba e Deus declarou: “ Este é meu Filho
amado que me dá alegria” (Mt 1,9-11; Lc. 3, 21-23). Depois
de ser batizado Jesus foi para o deserto. Lá ficou 40 dias
em oração, jejum e vencendo tentações. Depois Jesus voltou
para o meio do povo e começou a ensinar na Galiléia,
dizendo: “completou-se o tempo. Chegou o reino de Deus.
Mudai de vida e acreditai no Evangelho”. (Mt1,12-15). Ele
passou uns 3 anos ensinando, curando e fazendo o bem a
todos.
O centro
da mensagem de Jesus está na idéia de Deus como Pai e de nós
como filhos e irmãos. (Mt23,8-9). O Pai quer nos dar o
seu Reino (Lc12, 32). Deus quer reinar como Pai, num reino
onde haja vida em abundância para todos os seus filhos e
filhas (Jo.10,10), por isso o maior mandamento é amar a Deus
e o segundo , semelhante ao primeiro, é amar os irmãos.
Jesus insistia que “destes dois mandamentos dependem toda a
lei e os profetas” (Mt22, 34-40). Diz ainda: “ O meu
mandamento é este: amai-vos uns aos outros como eu amei
vocês”. (Jo13, 34-35; 15,12-17).
O que
Jesus pede de nós é que vivamos como filhos de Deus e como
irmãos. Este é o ponto central da vontade de Deus revelada
por Jesus. A vontade de Deus é que sirvamos uns aos outros.
O serviço gratuito ao outro leva à salvação (Mt.25,31-46;
Jo. 13,1-15) e os discípulos dele escreveram mais tarde que
sem o amor ao próximo nada valemos(1Cor13 e IJo3 e 4)
Assim
Jesus continua os ensinamentos dos Profetas que Deus quer a
misericórdia, a prática da caridade, da justiça e do direito
principalmente com os pobres e oprimidos (Is1,10-19;5,1-7).
Para produzir esse fruto o cristão deve estar bem unido a
Jesus, como o galho na planta porque sem Jesus nós nada
podemos fazer (J015,1-17) A união com Jesus, com o Pai e com
o Espírito Santo se alimenta pela oração. E para amar e
servir o irmão, como Jesus fez é preciso renunciar ao
egoísmo, sabendo perder a vida para ganhar e dar a vida
(Lc9, 23-27; Jo10,10-11)
Tudo o
que Jesus fez e ensinou está na dimensão do amor a Deus e
aos irmãos. Foi por causa de sua fidelidade de amor ao Pai e
aos irmãos, sua ação coerente com seu s ensinamentos
que Jesus foi rejeitado e crucificado e foi por causa dessa
mesma fidelidade que o Pai ressuscitou Jesus (At2, 22-36).
Viemos de
Deus, voltamos para Ele e nossa vida só tem sentido nele.
O ser
humano foi criado para o eterno. Sua existência só tem
sentido no Deus Uno e Trino, revelado plenamente em Jesus
cristo.
Em cada
ser humano existe uma sede fundamental, a busca do infinito,
busca de Deus. Por isso é que busca sua razão de ser no
mundo. Busca associar-se aos outros porque tem necessidade
de compartilhar e é dentro da comunidade que ele se
identifica e se desenvolve através da doação de si. Ele não
só precisa dos outros, mas precisa também doar-se aos
outros.
Fonte de
Pesquisa: “Para uma Catequese Fundamental nas Comunidades” .
Paróquia São Sebastião – Diocese de Montes Claros

* Irmã Eva Maria Nunes é
franciscana Alcantarina,
pedagoga, Mestra de Noviças e
Conselheira Provincial
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