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As práticas
penitenciais também vêm da concepção dos Cátaros. Francisco não
buscava penitências, ele vivia em penitência. Os sofrimentos da
vida, as dificuldades do dia-a-dia, constituíam suas penitências
e ele vivia tudo com muito rigor. Seu ideal de vida era
altíssimo em torno do minorismo, da pobreza, da obediência e da
fraternidade. Isso foi causa de muito sofrimento para ele porque
os irmãos não conseguiam alcançar esse ideal de perfeição. A
realidade da vida dos irmãos nem chegava perto. Ele só fica
livre do sofrimento, da preocupação com a Ordem quando em oração
intui que a Ordem é de Deus e não dele.
Para nós,
hoje, o sentido da penitência e sobretudo do jejum é trabalhar a
nossa vontade, o egoísmo, ordenar, disciplinar, educar a
vontade, buscar o equilíbrio do eu.
Os Cátaros
não aceitam a cruz. Eles se desviavam da cruz e das igrejas, por
isso Francisco reza: “Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo aqui
e em todas as vossas igrejas...”
A visão de
Francisco se insere em uma Teologia. Qual é a Teologia que
envolve a Eucaristia naquela época?
No ano de
1215, no Concílio de Latrão, o Papa prescreve que todos os
cristãos deveriam comungar uma vez por ano pela Páscoa., no
máximo 3 vezes por ano.
O povo ia à
missa não para participar, mas para assistir, ver e contemplar
Jesus na Eucaristia. Santa Clara extrapolou. Ela comungava sete
vezes ao ano.
Nesta época,
era acentuado o aspecto do Cristo Senhor, o Cristo que tem
poder. E São Bernardo é quem chama a atenção para a humanidade
de Jesus Cristo. Foi com o Franciscanismo que na Igreja passou a
ter uma visão da encarnação. A Encarnação de Jesus, o Presépio,
a Paixão de Jesus – a Kenosis, eram para Francisco uma
perplexidade.Ele chora contemplando esses mistérios da vida de
Jesus. O filho de Deus assume a nossa condição humana, se
esvazia, se torna escravo, morre numa cruz! Ele sofre como que
um impacto nessa contemplação do Cristo que se encarna, o Cristo
crucificado e Ressuscitado se esconde no Pão! È assim que
Francisco vê a Eucaristia, como totalidade da Vida de Cristo.
“Vede, Irmãos, que humildade a de nosso Senhor...Ele se esconde
na insignificante aparência de um pão”.
Para nós,
Franciscanos a Eucaristia tem todo esse significado, os
Franciscanos procuram conscientizar o povo com essa
visão-teológica Franciscana.
O mistério da
vida, morte e Ressurreição de Cristo na Teologia Franciscana e
na Teologia da Igreja atual é esta: Jesus Cristo, em igualdade
com o Pai, vem a este mundo como homem (Kenosis): obediente,
escravo, morte de cruz, Ressurreição, Cristo Senhor
Ressuscitado, Deus conosco. No útero de Maria, tomou nossa
carne, nossa humanidade. Na Eucaristia está presente conosco até
o fim dos tempos. Assim como Ele se encarnou no útero da Virgem,
está presente na Eucaristia. “Ele se humilha na aparência de um
pão...”(Ad1).
Francisco,
nutria um profundo e indescritível amor pela mãe de Deus por
causa da Eucaristia. Consagra-lhe louvores especiais, orações e
gestos de amor. Na Saudação à Bem Aventurada Virgem Maria, usa
alguns termos que lhe são muito peculiares:
“ Virgem
feita Igreja, Tabernáculo do Senhor, Casa, Palácio,
Vestimenta...que envolve o verbo encarnado”. Tudo isso mostra
claro: Encarnação↔Eucaristia.
Os
Franciscanos são os Teólogos da Encarnação. Temos grandes
Teólogos como São Boaventura, Dum Scotus que também defendeu o
dogma da Imaculada Conceição de Maria.
O
Franciscanismo tem uma visão sacramental da realidade: Deus cria
com sabedoria, poder e bondade. Tudo é tão bom que Deus se
Encarnou nesse mundo. Ele se apaixona pela sua obra. Na teologia
Franciscana a Encarnação teria acontecido mesmo se não houvesse
pecado. Pois se encarna por amor. O pobre, na visão franciscana
é sacramento de Deus. “ nunca julgues um pobre, irmão”.Francisco
vê no pobre e no doente a imagem de Jesus Cristo sofredor. Há um
sinal de Deus nessa criatura. |