|

O
Tríduo Pascal é iniciado com a Celebração da Ceia do Senhor.
Somos convidados a acompanhar
Jesus nos
momentos derradeiros de sua vida terrena e “revestir-nos dos
mesmos sentimentos de Cristo” ao reviver os mistérios centrais
de nossa fé
O centro da celebração da Quinta-Feira
Santa é a instituição da
Eucaristia
e do sacerdócio ministerial e o novo mandamento do
amor que
Jesus deu aos seus discípulos.
Sabemos pelos evangelhos sinóticos e pela
primeira carta de Paulo aos coríntios que escutamos há pouco
que, na noite, antes de sua Paixão, Jesus instituiu a
Eucaristia. “O Senhor Jesus tomou o pão e depois de dar graças,
partiu-o e disse: Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei
isto em minha memória”. Depois da ceia, tomou o cálice e disse:
“Este cálice é a nova aliança em meu
sangue.
Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”.
Jesus instituiu a Eucaristia, que é o
sacramento, o memorial perpétuo das maravilhas de
Deus
realizadas por seu Filho Jesus. Jesus dá um sentido totalmente
novo a páscoa judaica que ele celebrou com os seus discípulos,
na noite, antes de ser entregue. A Páscoa judaica, como
escutamos na primeira leitura do livro do Êxodo, é o memorial,
isto é, a atualização da libertação do povo de Israel da
escravidão do Egito.
Na
ceia, Jesus antecipa nos sinais do pão e do vinho o seu
sacrifício e a entrega que ele fará no dia seguinte. O pão e o
vinho são um sinal real e eficaz de Jesus que se entrega à morte
para a salvação de todos num ato extremo de amor e de
solidariedade para com a humanidade. É a nova e eterna aliança
de Deus com a humanidade, selada no seu sangue.
Por duas vezes, Paulo cita as palavras de
Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. Jesus
ordena, portanto, aos seus discípulos, constituindo-os
sacerdotes do Novo Testamento e àqueles que na
Igreja
participariam ministerialmente do seu sacerdócio pela ordenação
que repetissem essas suas palavras, esse seu gesto de geração em
geração, até a sua volta.
Agradeçamos a Jesus a instituição da
Eucaristia, memorial, atualização do sacrifício da
cruz,
presença salvífica de Jesus em nosso meio, alimento espiritual e
garantia de vida eterna. Rezemos pelos nossos sacerdotes e pelas
vocações sacerdotais para que não nos falte santos qualificados
e numerosos ministros para anunciar a Palavra de Deus,
administrar os sacramentos e servir o povo de Deus.
No
lugar da instituição da Eucaristia, São João narra a cena do
Lava-pés.
Durante
a ceia com seus discípulos, “Jesus levantou-se da mesa, tirou o
manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água
numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os
com a toalha com que estava cingido. Dei-vos o exemplo, para que
façais a mesma coisa que eu fiz”. Participar da Eucaristia,
comungar o corpo e o sangue de Cristo, é comprometer-se a fazer
da própria vida uma entrega fraterna e solidária aos nossos
irmãos, especialmente, aos mais necessitados, os enfermos, os
pobres, as pessoas com deficiência, os anciãos, as crianças. É
importante que ao procurarmos ajudar os outros, contribuamos
para que aqueles que ajudamos sejam sujeitos de sua própria
promoção e não só destinatários de mera assistência, de simples
ajuda. Dessa forma, estaremos colaborando para a promoção das
pessoas e evitando o perigo de continuar perpetuando a
desigualdade social.
Dom Raymundo Damasceno Assis - Arcebispo Metropolitano de
Aparecida - SP
|