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* Por Irmã
Virgínia Matias Homem
“.... Os consagrados são chamados a
fazer de seus lugares de presença,
de sua vida fraterna em
comunhão e de suas obras,
lugar do anúncio explícito do
Evangelho,
principalmente aos mais
pobres.”
(Documento de Aparecida, 217)
Hoje, mais do
que em tempos passados a formação para vida religiosa se
apresenta como um grande desafio. Como nos diz o documento de
Aparecida no trecho acima citado, somos chamados(as) a fazer da
nossa vida anúncio explícito do Evangelho, de modo particular
aos menos favorecidos.
Então me
pergunto: Como colocar no coração de nossas jovens formandas
esta paixão? |
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Como ensiná-las a
viver valores vitais para vida consagrada, como oblatividade,
solidariedade, paciência, humildade espírito de partilha, num
mundo onde impera a competitividade, o individualismo, o
consumismo? Este é o grande desafio e o mais comprometedor para
mim. Ajudá-las a assumir a forma (rosto) de Jesus
Cristo nas ações cotidianas, ensiná-las que a paixão pelo Reino
é um compromisso que se assume a cada dia, nas pequenas coisas.
Ajudar a jovem a
aprimorar e a desenvolver seus sentimentos e valores
humanizadores (sentimentos que traduzem o amor pelo próximo) e
ter a coragem de dizer para jovem que não quer cultivar estes
valores que ela não tem condições para Vida Religiosa. Pode até
ter vontade, mas não tem as condições necessárias. Isso é um
desafio!
A formação inicial
tem o compromisso de ajudar a jovem a dar um novo rosto à vida
religiosa, novo ardor. Que grande desafio! São estas novas
religiosas que, juntamente com as mais antigas de caminhada
farão da vida religiosa um espaço de mudança e de fraternidade.
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Quando
falamos em novas gerações na VR, não podemos nos esquecer que
não se quer dizer gente nova, nem se está falando apenas de
idade. As mais jovens se juntem às de meia idade, terceira e
quarta idade, não importa. O que importa é que de mãos dadas
façamos nascer uma nova vida religiosa, mais comprometida, mais
fiel, alegre, humanizada e humanizadora, com um sopro novo.
Não
percorremos um caminho pronto, a jovem formanda precisa desde
cedo entender esta realidade, estamos a caminho, o caminho se
faz. Como franciscanas, nosso caminhar é ainda mais longo, pois
Francisco nos quis itinerantes, sempre com a “mochila”
nas costas, em busca de novas terras de evangelização. O
espírito de missionariedade (amor pela missão) deve perpassar o
caminho da jovem desde o início do processo formativo.
Uma jovem que
não se interessa pelos menos favorecidos, que não é solidária,
nem demonstra gosto pela evangelização seja em sua própria
terra, seja em terras distantes e difíceis, com certeza não tem
as condições necessárias para VR. E precisamos ajudá-la a
entender isso, mesmo que seja este um grande desafio.
A identidade
principal da VR é a vivência comunitária, a vivência dos valores
evangélicos da fé e da oblatividade (doação). Para nós
franciscanos este compromisso é ainda mais forte e desafiador,
não é apenas vivência comunitária, mas acima de tudo,
vivência fraterna, ou seja, partilha de dons, de bens,
partilha de fé e espiritualidade, viver como irmãos e irmãs,
unidos pelos preciosos laços da fé. Sendo testemunhas desta
vivência para todos os irmãos que conosco trabalham e convivem
especialmente as jovens que chegam até nós com o desejo de
experimentar nossa forma de vida. |
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Cada uma de
nós irmãs Franciscanas Alcantarinas, se queremos ser exemplo e
incentivo para as novas gerações de irmãs, precisamos a cada dia
voltar ao nosso fundamento inicial, ao nosso primeiro amor e
então reconstruir nosso espaço, fazer novamente nossa escolha
pelo projeto de Deus na nossa vida.
Esta é a
grande missão do/a formador(a), ajudar as jovens formandas a
trilhar o difícil caminho em direção a uma experiência
profunda de Deus e alimentadas por esta experiência
qualificar o serviço aos irmãos. A experiência de Deus
sustentará a caminhada da jovem, até mesmo nos momentos de
crise.
Tendo sempre
presente esta expressão de São Paulo: “ Tudo posso, mas nem
tudo me convém.” Com esta afirmação Paulo nos mostra o
quanto devemos estar conscientes das nossa opções. O que me
convém deve ser fruto de uma opção livre. Posso tudo, mas diante
de minha escolha, nem tudo me é possível e conveniente.
Particularmente, posso afirmar com certeza a veracidade do que
diz o título deste artigo, no serviço da formação, se vive ao
mesmo tempo, o desafio e a paixão.
A paixão pela
formação nos move a continuar dando tudo que temos para ajudar a
jovem a vislumbrar o rosto de Jesus Cristo de uma forma
diferente, mais livre, consciente e corajosa. |
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A
gratificação de ver a jovem crescendo, se esforçando,
exercitando-se para assumir e viver os novos valores é a maior
recompensa para quem exerce o serviço da formação.
Quanto ao serviço
de animação vocacional da Província, não podemos nos abster de
cumprir a nossa parte nesta missão. Cada Irmã Franciscana
Alcantarina tem a responsabilidade de rezar e zelar pelas
vocações. Como nos diz o documento Vita Consecrata¨: “O convite
de Jesus: ‘Vinde ver’ (Jo 1,39) permanece, ainda hoje, a
regra de ouro da pastoral vocacional. Esta visa
apresentar, seguindo o exemplo dos fundadores e fundadoras, o
fascínio da pessoa do Senhor Jesus e a beleza do dom
total de si à causa do Evangelho. Portanto, a tarefa primária de
todos os consagrados e consagradas é propor corajosamente, pela
palavra e pelo exemplo, o ideal do seguimento de Cristo,
amparando depois a resposta aos impulsos do Espírito no coração
dos chamados” (VC, 64).
Não deixem de rezar
pelas vocações. Não deixem de rezar por quem está exercendo, no
momento, o serviço de animação vocacional. Não deixem de apoiar
e rezar por quem está responsável pela formação destas jovens. É
um grande desafio. Rezem para que seja também uma grande paixão.

*Irmã Virgínia Matias Homem
é
franciscana alcantarina,
psicóloga, formadora do Postulado e
Conselheira Provincial
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