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“E
porque o Espírito de Jesus Cristo é espírito de doçura,
de humildade, de abnegação e de mortificação, as Irmãs
devem, com todo empenho trabalhar para adquiri-lo seja
com o contínuo e nunca interrompido exercício dos atos
de virtude correspondente, seja com a meditação
cotidiana, especialmente sobre a Paixão de Jesus Cristo
Nosso Senhor; como diz nosso Pai São Pedro de Alcântara,
não se pode encontrar outro tesouro tão rico e tão pleno
de bens."
(Art.4 Const. 1874)
Diante deste artigo das constituições escritas pelo
nosso fundador o padre Vicente Gargiulo, é possível
perceber a profundidade e o alto grau de intimidade
orante que este homem tinha com Deus. O centro do
coração e do pensamento, do ser e do agir de padre
Vicente é nosso Senhor Jesus Cristo.
É
transparente a espiritualidade da cruz em Don Vicente.
Demonstra sua vida ser ele uma pessoa de profunda vida
de oração e igualmente de grande capacidade de ação em
favor de seu povo, com atenção especial pelos pequenos,
fracos e marginalizados. Em meio a um vasto campo de
apostolado e de grandes necessidades e miséria, Pe.
Vicente tinha como principio não deixar seu tempo de
encontro pessoal com Cristo, onde encontrava a fonte
motora para sua ação e é isto que ele recomenda às suas
filhas.
Pe.
Vicente alimentava sua vida espiritual com uma
fortíssima devoção a Maria. Ele tinha o coração
inflamado pela piedade franciscana, a qual o levou a
dispor Maria como Madre Geral de suas filhas e a elegeu
como a Mãe Especialíssima do instituto.
Sustentava também a espiritualidade Pe. Vicente, o
espírito de mortificação, de sacrifício, de abnegação e
de abandono nas mãos da divina providência. A tudo isto
ele dava carne dentro da realidade sofrida do seu povo e
dizia que cada Irmã Alcantarina “deverá ser pobre e
humilde por amor, trabalhadora e apóstola por amor.”
Um
coração que ama de verdade, não consegue, após
contemplar uma realidade desumana na qual vivem tantos
irmãos, permanecer ileso, insensível e prosseguir seu
caminho com Deus. Não, ele aceita despedaçar-se e ser
repartido entre cada irmão necessitado, porque tem
consciência de que é o próprio Jesus Cristo que ali quer
necessitar dele para fazer acontecer o reino de Deus. O
coração que ama segue por um determinado caminho, mas
pulsa pelo mundo inteiro. Conhecendo a realidade que nos
cerca, fazemos dela objeto de nossa oração, de nosso
encontro com o pai e partimos para a ação que
transforma, mesmo que seja apenas parte dela, importa
não cruzar os braços mas abri-los, ainda que abracemos
apenas um pouco, porém, este pouco é uma parcela a menos
a sofrer, e uma força a mais para lutar e agir em favor
dos irmãos.
Pe.
Vicente, contemplando a realidade sofrida do seu povo,
reage vigorosamente com sede de libertá-los e
promovê-los. Ele emprega toda sua energia vital e se
arma de todos os recursos de que se dispunha para que
suas ovelhas pudessem provar da água da vida. Foi um
homem de oração e de ação e sempre insistiu com suas
filhas na síntese da oração. Na concepção dele, a Irmã
Alcantarina não é uma Marta “atarefada com o muito
serviço,” que deixa a parte contemplativa de Maria para
às monjas enclausuradas, mas é uma pessoa “consagrada” a
Deus para o bem dos irmãos que sintetiza as duas
dimensões: a vida de Maria nos amplos espaços reservados
à oração, e a vida de Maria pela dedicação ao postulado.
Pe.
Vicente compreendeu, com a vida, que para estar unido a
Deus é preciso primeiramente unir-se à vida e à luta dos
irmãos. Ele, como pastor, filho de Castellammare, era
conhecedor da pobreza, da miséria material, moral e
espiritual dos irmãos, como fruto das tensões e
desequilíbrio sociais e econômicos. Começando pela
oração, empreendeu uma investigação sistemática sobre a
realidade humana e social da sua paróquia e se lançou na
luta, buscando promover a pessoa toda, fosse homem ou
mulher, criança, jovem, adulto ou idoso. Diariamente
visitava os enfermos, as pessoas solitárias, as ovelhas
mais necessitada de seu rebanho. Revelou-se um
autêntico discípulo do senhor.
Pe.
Vicente não tomava nenhuma iniciativa ou decisão sem
antes prostrar-se em oração de profundo diálogo com o
senhor. Esta é a verdadeira espiritualidade: uma vida de
oração que se transforma em ação, uma ação que se
perpassa pela oração. Podemos afirmar que Pe. Vicente
viveu o que ele recomendou às suas filhas, guiado pelo
pensamento de S. Pedro de Alcântara: “se quiseres
suportar com paciência as adversidades e as misérias
desta vida, sê homem de oração. Se quiseres conseguir
virtudes e forças para vencer as tentações do inimigo,
sê homem de oração. Se quiseres mortificar tua vontade
com todas as suas paixões e desejos, sê homem de oração.
Sê quiseres sustentar tua alma com a plenitude da
devoção e tê-la sempre cheia de bons pensamentos e
desejos, sê homem de oração. Se quiseres fortificar e
consolidar teu coração no caminho de Deus, sê homem de
oração. Enfim, se quiseres erradicar de tua alma todos
os vícios e lá plantar as virtudes, sê homem de oração,
pois pela oração recebe-se a unção e a graça do
Espírito Santo que tudo ensina.”
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