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Pedido Especial do Amor de Deus
do Tratado de Oração de São Pedro de Alcântara
* Nova tradução por
Frei Celso Márcio Teixeira, OFM
[Sobre
todas estas virtudes, dai-me, Senhor, a graça para que vos ame com
todo o meu coração, com toda a minha alma, com todas as minhas
forças e com todas as minhas entranhas, assim como vós mandais. Oh
toda a minha esperança, toda minha glória, todo meu refúgio e
alegria! Oh mais amado dos amados, Esposo florido, Esposo suave,
Esposo melífluo! Oh doçura de meu coração, vida de minha alma e
descanso alegre de meu espírito! Oh belo e claro dia da eternidade,
serena luz de minhas entranhas, paraíso florido de meu coração! Oh
amável princípio meu e suma suficiência minha!
[Preparai,
meu Deus, preparai, Senhor, uma agradável morada para vós em mim,
para que, segundo a promessa de vossa santíssima palavra, venhais a
mim e repouseis em mim. Mortificai em mim tudo o que desagrada a
vossos olhos e fazei-me homem segundo o vosso coração. Feri, Senhor,
o mais íntimo de minha alma com as setas de vosso amor e embriagai-a
com o vinho de vossa perfeita caridade.
[Oh,
quando será isto? Quando vos agradarei em todas as coisas? Quando
estará morto em mim tudo o que há de contrário a vós? Quando serei
totalmente vosso? Quando deixarei de ser meu? Quando nada além de
vós viverá em mim? Quando vos amarei ardentíssimamente? Quando a
chama de vosso amor me abrasará todo? Quando estarei todo derretido
e traspassado com a vossa eficacíssima suavidade? Quando abrireis a
este pobre mendigo e lhe descobrireis a formosura de vosso reino que
está dentro de mim e que sois vós com todas as vossas riquezas?
Quando me arrebatareis, me submergireis, me transportareis e
escondereis em vós, onde eu nunca mais seja encontrado? Quando,
removidos todos os impedimentos e estorvos, me tornareis um só
espírito convosco, para que nunca me possa afastar de vós?
[Oh
amado, amado, amado de minha alma! Oh doçura, doçura de meu coração!
Ouvi-me, Senhor, não por meus merecimentos, mas por vossa infinita
bondade! Ensinai-me, iluminai-me, encaminhai-me e ajudai-me em todas
as coisas, para que nenhuma coisa se faça, se diga, a não ser o que
for agradável a vossos olhos.
Oh Deus meu, amado meu, entranhas minhas, bem de minha alma! Oh doce
amor meu! Oh grande deleite meu! Oh fortaleza minha! Oh vida minha,
valei-me; luz minha, guiai-me!
[Oh
Deus de minhas entranhas! Por que não vos dais ao pobre? Enchei os
céus e a terra e deixais vazio o meu coração? Se vestis os lírios do
campo, cuidais com amor das avezinhas e mantendes os vermes, por que
vos esqueceis de mim que de todos me esqueço por vós? “Tarde vos
conheci, bondade infinita! Tarde vos amei, beleza tão antiga e tão
nova! Triste foi o tempo em que não vos amei, pobre de mim, pois não
vos conhecia! Cego que sou, eu não vos via! Estáveis dentro de mim,
e eu andava a buscar-vos fora! Embora eu vos tenha encontrado tarde,
não permitais, Senhor, por vossa divina clemência, que jamais vos
deixe”.
[Visto
que uma das coisas que mais vos agradam e que mais toca o vosso
coração é ter olhos para contemplar-vos, dai-me, Senhor esses olhos
com que vos contemple: a saber, olhos simples da pomba, olhos castos
e cheio de pudor, olhos humildes e amorosos, olhos devotos e
chorosos, olhos atentos e discretos para entender vossa vontade e
cumpri-la, para que, contemplando-vos com estes olhos, seja por vós
olhado com aqueles com que olhastes São Pedro, quando o fizestes
chorar seu pecado; com aqueles olhos com que olhastes o filho
pródigo, quando saístes ao seu encontro para recebê-lo e o beijastes
com o beijo de paz; com aqueles olhos com que olhastes o publicano,
quando ele não ousava sequer elevar os olhos ao céu; com aqueles
olhos com que olhastes a Madalena, quando ela lavava vossos pés com
as lágrimas dos seus; finalmente, com aqueles olhos com que olhastes
a Esposa do Cântico dos Cânticos, quando lhe dissestes
“És minha amiga formosa, formosa és; teus olhos são de pomba”, para
que, agradando-vos dos olhos e da beleza de minha alma, lhe dês
aqueles adornos de virtudes e graças, com as quais ela sempre vos
possa parecer formosa.
[Ó
altíssima, clementíssima, benigníssima Trindade, Pai, Filho,
Espírito Santo, um só Deus verdadeiro, ensinai-me, conduzi-me e
ajudai-me, Senhor, em tudo! Ó Pai todo-poderoso, pela grandeza de
vosso infinito poder, estabelecei e confirmai minha memória em vós e
enchei-a de santos e devotos pensamentos! Ó Filho santíssimo, pela
eterna sabedoria vossa, esclarecei meu entendimento e adornai-o com
o conhecimento da suprema verdade e de minha extremada vileza! Ó
Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, por vossa incompreensível
bondade, transpassai em mim toda a vossa vontade e abrasai-a com um
fogo de amor tão grande que nenhuma água o possa apagar! Ó Trindade
sagrada, único Deus meu e todo meu bem! Ah se eu vos pudesse louvar
e amar como vos louvam e amam todos os anjos! Ah se eu tivesse o
amor de todas as criaturas, com quão boa vontade vo-lo daria e
transferiria a vós, embora nem este bastasse para amar-vos como vós
mereceis! Somente vós podeis dignamente amar e dignamente louvar,
porque somente vós compreendeis vossa incompreensível bondade e
assim somente vós a podeis amar quanto ela merece, de maneira que só
nesse diviníssimo peito se encontra guarda amor adequado a vós.
[Ó
Maria, Maria, Virgem Maria santíssima, mãe de Deus, Rainha do céu,
Senhora do mundo, sacrário do Espírito Santo, lírio de pureza, rosa
de paciência, paraíso de deleites, espelho de castidade, modelo de
inocência! Rogai por este pobre desterrado e peregrino e reparti com
ele das sobras de vossa abundantíssima caridade. Ó vós,
bem-aventurados santos e santas, e vós, bem-aventurados espíritos
que ardeis no amor de vosso criador, especialmente vós, serafins,
que abrasais os céus e a terra com vosso amor! Não desampareis este
pobre e miserável coração, mas purificai-o, como os lábios de Isaías,
de todos os seus pecados e abrasai-o com a chama desse vosso
ardentíssimo amor, para que somente a este Senhor ame, somente a ele
busque, somente nele repouse e more pelos séculos dos séculos.
Amém
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