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A Missão do Jovem na Igreja
Por Ir. Fabiana Pinheiro.
É com muita alegria que escrevo estas linhas, pois falar do jovem hoje pra mim, é falar de expectativa, de mudanças, de sonhos e de tantos outros desejos que temos no coração. Há quase dois anos, depois que assumi minha vocação na Família Franciscana Alcantarina, na qual sou muito feliz, fui convidada a assumir a missão junto dos jovens e em nossas missões no centro de animação vocacional, que tem como objetivo o acolhimento das jovens, este foi um rico presente de Deus em minha vida. Hoje com essa experiência de estar em contato com tantos jovens, seja na missão seja com aqueles que acompanhamos na orientação vocacional,seja nos grupos de jovens, no grupo da Crisma, onde somos convidadas a estar presentes,seja com as jovens que fazem experiência fraterna em nossa casa, percebo o quanto buscam e necessitam de apoio e incentivo para um melhor discernimento e amadurecimento de seus desejos,pensamentos, sonhos e projetos, para que possam ser o rosto bonito de Deus numa igreja viva e missionária que revele essa experiência de seguimento de Jesus Cristo ao mundo. Acostumamos a dizer que o jovem é uma esperança, o construtor do futuro, protagonistas de uma nova igreja com rosto jovem, mais não damos o devido apoio e nem a ajuda necessária, por isso muitas vezes acabamos caindo num discurso de belas palavras que não tem uma ação concreta. Nestas minhas experiências tenho encontrado jovens que buscam incansavelmente um sentido novo para sua vida, e consequentemente para o mundo que esta a sua volta, jovens que lutam por uma vida mais justa, mais digna, querendo encontrar sua vocação que é expressão da própria felicidade. O jovem é protagonista porque constrói hoje, e é esperança porque é presença e marca a sua passagem na Igreja, mas precisa encontrar seu espaço. Ajudada pela própria igreja possa a juventude construir alicerces resistentes e não algo que vá se desfazer a qualquer momento como tem acontecido em nossos grupos de jovens e movimentos, com uma espiritualidade não enraizada, vazia e sem uma base firme e sólida. E fazendo memória de algumas experiências relembro como foi encantador e contagiante o entusiasmo que emanou da juventude que lotou o estádio do Pacaembú fazendo presença na visita de sua santidade o santo Padre o Papa Bento XVI com a juventude da América Latina. Foi um espetáculo a parte o que o jovem com sua alegria e vibração,vivenciou, irradiando o desejo de paz, desejo de escuta, de mudanças... Naquele encontro, acolhendo e tornando mais próximo nosso Pastor, via no rosto dos jovens a necessidade de silêncio para a escuta, mas também de partilhar suas angústias, seus desafios, suas preocupações, sua meta e de saber qual a rota que deveria tomar para encontrar o caminho certo. Por isso quando penso e contemplo os jovens com toda a sua alegria penso no amanhã e, juntos mergulhamos na esperança de que no futuro o mundo seja melhor, mais fraterno, misericordioso, humano, mais cristão. Mas ao mesmo tempo em que nos debruçamos nesta expectativa e mudança, diante de nós vemos alguns fatos que nos deixam descrentes deste futuro: as incertezas do jovem de hoje sobre o amanhã, a busca de caminhos receosos, decisões vazias e vulneráveis, tudo isto nos faz pensar e perguntar: "Como e qual será o meu amanhã?". A Igreja no seu papel não deve deixar essa realidade passar despercebida, pois ela é mãe e como tal deve ser acolhedora neste tempo que é tão importante e decisivo na vida de nossos jovens. Deve ser incansável no cultivo de ensinar e enviar a juventude para que possa erguer alicerces firmes e esteja de baços abertos para acolher a cada um que queira viver nesse seguimento radical de nosso mestre e senhor Jesus Cristo e de seu projeto. O jovem deve ser fermento na massa. Capaz de entusiasmar o mundo pelo seu ideal de vida e de seguimento a Deus. Nós, como Igreja precisamos mostrar para a juventude que seus sonhos e projetos são futuro, a mudança daquilo que há de vir, por isso, o olhar de extrema importância e ternura da Igreja. Olhar que revela também uma grande preocupação sobre a responsabilidade de cada jovem em assumir aquilo que é proposto seus mandamentos, sua fé, contemplando sempre a vida e o exemplo do Filho de Deus, Jesus Cristo, servo fiel do povo. João Paulo II afirma, "A vocês cabe a responsabilidade daquilo que um dia se tornará atual com vocês e que, por enquanto, ainda é futuro”. O momento da juventude é de descoberta, em que cada jovem é chamado a buscar e encontrar sua própria vocação e missão, na Igreja, na sociedade, no mundo que tanto necessita dele. O jovem há de olhar para si mesmo e saber que vive segundo a graça de Deus e que só saberá sua verdadeira missão e vocação a partir do seguimento de Jesus Cristo. É nesta experiência tão rica que presenciamos do jovem no seu encontro de intimidade com o Senhor que vamos nos refazendo e reavivando nosso sonhos,nossos projetos, desejosas também de reanimar nossa esperança de um futuro melhor para que todos tenham vida, e vida em abundância .
E para nós...? Qual é a nossa expectativa,nossa contribuição para a construção de um mundo melhor,mais justo,mais fraterno,mais misericordioso? Qual o rosto que revelamos no nosso cotidiano? Como esta o nosso entusiasmo junto a juventude que nos circunda? Revelamos o rosto de uma Igreja que acolhe que escuta aos anseios das pessoas ou somos indiferentes a essa realidade?
Desejo a cada um toda Paz e todo Bem!
* Irmã Fabiana Pinheiro é franciscana alcantarina, juniorista e membro do Centro de Animação Vocacional da Província
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